Uso de espécies nativas para restauração de fitofisionomias savânicas do Cerrado
Visão geral da experiência
Esta experiência apresenta uma estratégia de restauração ecológica ativa em áreas de Cerrado sentido restrito, baseada no uso combinado de ervas, arbustos e árvores nativas, com destaque para a semeadura direta em área total. O trabalho foi desenvolvido ao longo de vários anos, permitindo avaliar diferentes técnicas de preparo do solo, formas de plantio e trajetórias de regeneração da vegetação.
Onde a experiência foi realizada
Bioma: Cerrado
Fitofisionomia: Cerrado sentido restrito
Local: Alto Paraíso de Goiás (GO)
Tipo de área: Unidade de Conservação
Coordenadas: 14°06'49.71“S / 47°38'26.44”O & 14°05'34.61“S / 47°38'17.05”O
Objetivo da experiência
Promover a restauração ecológica de áreas degradadas, anteriormente utilizadas como pastagem.
Recuperar funções ecológicas, como:
Proteção dos recursos hídricos
Regulação climática
Recarga do lençol freático
Estoque de carbono
Histórico e características da área
Uso anterior: Pastagem degradada
Solo: Plintossolos rochosos, bem drenados e sazonalmente alagados
Relevo: Plano a suavemente ondulado
Estratégia de restauração adotada
Método: Plantio em Área Total
Técnicas de implantação:
Semeadura manual em linha
Semeadura manual a lanço
Semeadura mecanizada a lanço (com uso de calcareadeira)
Passo a passo da implantação
A experiência envolveu seis eventos de plantio, realizados nos anos de 2012, 2013, 2014, 2015, 2016 e 2019, com diferentes combinações de preparo do solo:
Controle de capim exótico: roçadas, gradagens sucessivas e queima prescrita
Preparo do solo: arado, enxada rotativa, nivelamento e, em alguns casos, ausência de preparo prévio
Plantio: semeadura direta com mistura de sementes de espécies nativas de diferentes formas de vida
As doses de sementes variaram entre 74 e 333 kg/ha, ajustadas ao método e às condições de cada área.
Origem das sementes
Até 2016: sementes coletadas por moradores da Chapada dos Veadeiros, remunerados por diárias
A partir de 2017: aquisição de sementes junto à Associação Cerrada de Pé, fortalecendo cadeias locais e a economia regional
Custos da implantação
Custo total estimado: R$ 14.000,00 por hectare
Distribuição dos custos:
Preparo da área: R$ 5.000,00/ha
Sementes: R$ 4.000,00/ha
Plantio: R$ 3.000,00/ha
Manutenção inicial: R$ 2.000,00/ha
Monitoramento e resultados
A área é monitorada continuamente, com 111 parcelas permanentes.
Os resultados mostram que:
Espécies de crescimento rápido dominam inicialmente, mas reduzem sua cobertura ao longo do tempo.
Gramíneas nativas perenes tendem a substituir espécies de ciclo curto.
Algumas áreas evoluem para maior diversidade funcional, sem dominância de um único grupo.
Áreas dominadas por gramíneas exóticas apresentam maior risco de trajetórias indesejáveis.
Esses resultados evidenciam que a restauração é um processo dinâmico, com múltiplas trajetórias possíveis.
Situação atual da experiência
Principais aprendizados
A inclusão de espécies de diferentes formas de vida e grupos funcionais é fundamental para a estabilidade da restauração.
A semeadura direta em área total pode ser uma alternativa eficiente e economicamente viável.
O manejo inicial do solo e o controle de espécies exóticas influenciam fortemente o sucesso da restauração.
Apoio institucional
A experiência contou com apoio de:
Referências técnicas
Coutinho, A. (2018). Construção de comunidades em restauração ativa de savana.
Rocha et al. (2020). Semeadura Direta para restauração: experiências diversas pelo Brasil.