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Restauração de Mata Ciliar por Semeadura Direta Mecanizada
Visão geral da experiência
Esta experiência apresenta um modelo de restauração ecológica de mata ciliar por meio da semeadura direta mecanizada, testado no bioma Amazônia. A estratégia mostrou-se eficiente para recompor rapidamente áreas degradadas, reduzindo custos e tempo de implantação quando comparada ao plantio convencional de mudas.
Identificação da experiência
Bioma: Amazônia
Estado/Município: Querência – MT
Coordenadas: 12°22’33”S / 52°13’31”W
Fitofisionomia: Floresta Estacional Sempre-Verde
Categoria da área: Área de Preservação Permanente (APP)
Local de implementação: Imóvel privado
Data de implantação: 30/01/2009
Aplicabilidade:
Pode ser aplicada em propriedades de qualquer tamanho, tanto em APP quanto em Reserva Legal, desde que respeitada a adequação das espécies ao objetivo de recomposição.
Objetivo do modelo
Promover a restauração ecológica da vegetação nativa, com foco na recomposição da mata ciliar e na recuperação das funções ecológicas da área.
Estratégia e técnica de recomposição
A combinação das técnicas permitiu adaptar o plantio às diferentes características das sementes (tamanho e peso).
Histórico e condições da área
Solo: Latossolo Vermelho-Escuro Distrófico
Relevo: Levemente inclinado
Elementos hídricos: Nascente e curso d’água com faixas marginais
Passo a passo da implantação
1.Preparação da área
2.Organização das sementes
As sementes foram separadas em quatro grupos, conforme tamanho e peso:
Grupo A – sementes médias: plantadas via caixa de adubo da plantadeira
Grupo B – sementes leves: plantadas via caixa de sementes
Grupo C – sementes muito leves: semeadura a lanço
Grupo D – sementes grandes: plantio manual em covas
3. Mistura e plantio
Mistura de sementes nativas, adubo (0-18-18) e terra seca
Plantio com plantadeira de soja para plantio direto (14 linhas)
Ajuste prévio da plantadeira para garantir a densidade adequada de sementes
4. Espécies facilitadoras
Plantio conjunto de feijão-guandu e feijão-de-porco, com funções de:
Espécies utilizadas
Foram utilizadas mais de 60 espécies nativas, incluindo árvores, arbustos e palmeiras, com diferentes funções ecológicas, como:
Espécies pioneiras e de crescimento rápido
Espécies arbóreas de médio e longo ciclo
Espécies atrativas para a fauna
Espécies adaptadas a ambientes ciliares
Açaizinho Euterpe catinga
Acerola Malpighia glabra
Amoreira Morus nigra
Angelim-do-cerrado Andira anthelmia
Aroeira-verdadeira Myracrodruon urundeuva
Barbatimão Stryphnodendron adstringens
Baru Dipteryx alata
Buriti Mauritia flexuosa
Café-bravo Vismia guianensis
Cajazinho Spondias mombin
Cajuí, cajuzinho-do-cerrado Anacardium humile
Calabura Muntingia calabura
Capitão-do-campo Terminalia argentea
Caroba Jacaranda copaia
Carvoeiro Sclerolobium paniculatum
Chichá Sterculia sp.
Copaiba Copaifera langsdorffii
Curiola Pouteria ramiflora
Embauba Cecropia sp.
Figueira Ficus sp.
Garapa Apuleia leiocarpa
Genipapo Genipa americana
Guaritá, aroeira-falsa Astronium lecointei
Guatambu Aspidosperma macrocarpon
Ipê amarelo-do-cerrado Handroanthus ochraceus
Ipê-amarelo-da-mata Handroanthus serratifolius
Ipê-caraiba Tabebuia aurea
Ipê-roxo Handroanthus impetiginosus
Jacarandá bico de papagaio Machaerium acutifolium
Jambo-da-mata Bellucia grossularioides
Jatobá-da-mata Hymenaea courbaril
Jatobá-de-brinco Peltogyne sp.
Lixeira Curatella americana
Mamica-de-porca Zanthoxylum rhoifolium
Mamoninha Mabea fistulifera
Mandiocão Schefflera morototoni
Mirindiba Trema micrantha
Mirindiba, tarumarana Buchenavia sp.
Mirindiba-miúda Buchenavia tetraphylla
Mogno Swietenia macrophylla
Morcegueira-lisa Andira sp.
Murici-da-mata Byrsonima sp.
Mutamba Guazuma ulmifolia
Oiti Couepia grandiflora
Oiti-da-mata Licania sp.
Orelha-de-nego, tamboril Enterolobium sp.
Pata-de-vaca Bauhinia sp.
Pau-terra Qualea sp.
Pente-de-macaco Apeiba tibourbou
Pequi Caryocar brasiliense
Peroba Aspidosperma sp.
Pimenta-de-macaco Xylopia aromatica
Pinhão manso Jatropha curcas
Pitanga-da-mata Calyptranthes paniculata
Quina Strychnos pseudoquina
Sucupira-branca Pterodon pubescens
Tingui Magonia pubescens
Tucum Astrocaryum sp.
Urucum Bixa orellana
Vinhático, amarelinho Plathymenia reticulata
Virola Virola sp.
Custos de implantação
Custo total estimado: R$ 3.400,00 por hectare
Os principais custos estiveram relacionados a:
Principais resultados observados
Germinação visível já nos primeiros meses
Boa cobertura do solo em curto prazo
Estrutura florestal bem estabelecida após 6 anos
Redução da necessidade de abertura de covas e transporte de mudas
Pontos críticos e aprendizados
Dormência de sementes: exige tratamentos específicos antes do plantio
Controle de plantas invasoras: fundamental, especialmente da braquiária
Ajuste fino da plantadeira: essencial para evitar falhas no plantio
Profundidade do plantio: não ultrapassar 2–3 cm
Disponibilidade e custo de sementes: pode limitar a adoção da técnica em algumas regiões
Monitoramento e manejo
Início do monitoramento cerca de 10 dias após o plantio
Avaliação da germinação
Controle seletivo de plantas competidoras
Acompanhamento do desenvolvimento da vegetação ao longo do tempo
Avaliação geral da experiência
A semeadura direta mecanizada mostrou-se uma alternativa eficiente, rápida e escalável para restauração de áreas ciliares, especialmente em áreas extensas e com acesso a maquinário agrícola. O sucesso depende de planejamento técnico, qualidade das sementes e manejo adequado pós-implantação.
Parcerias e apoio institucional
Coordenação: Embrapa Meio Ambiente
Parcerias: Instituto Socioambiental (ISA) – Campanha Y Ikatu Xingu
Financiamento: CT-Agro/FINEP e CNPq
Referências técnicas
ROCHA, G. B.; VIEIRA, D. L. M.; CAMPOS FILHO, E. M. FERREIRA, M. C.; MIRANDA, E.; ALVEZ, M.; SAMPAIO, A.; ANTONIAZZI, L. Guia de semeadura direta para florestas e cerrados. 1 ed. São Paulo: Agroícone Ltda, Iniciativa Caminhos da Semente, 2020. Disponível em: https://www.agroicone.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Guia_semeadura_florestascerrados.pdf
VIEIRA, I.G.; FERNANDES, G.D. Acervo Histórico IPEF: Informações Técnicas. Métodos de Quebra de Dormência de Sementes. Disponível em < https://www.ipef.br/publicacoes/acervohistorico/informacoestecnicas/quebradormenciasementes.aspx > Acesso em 24 jul 2024.