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Sistemas Agroflorestais (SAF) – Modelo BR SAF PA–01

Amazônia | Pará

Identificação da Experiência

  • Bioma: Amazônia
  • Município/Estado: Tomé-Açu – PA
  • Coordenadas: 00°43’03” S | 47°41’59” W
  • Tipo de experiência: Sistema Agroflorestal (SAF) em transição agroecológica
  • Escala: Agricultura familiar, sistema orgânico

Contexto e Histórico da Área

A experiência ocorre em uma propriedade familiar em processo de transição agroecológica, que substituiu o sistema tradicional de derruba e queima por práticas agrícolas sem uso do fogo.

Desde 2005, a área passou a integrar iniciativas como o Projeto Raízes da Terra e o Projeto Tipitamba (Embrapa), com foco na:

  • recuperação de áreas degradadas;
  • implantação de sistemas agroflorestais;
  • adoção de práticas agroecológicas;
  • valorização da mão de obra familiar e da conservação ambiental.

Condições Ambientais da Área

  • Clima: Ami (Köppen), com temperaturas entre 21,1 °C e 34,4 °C
  • Precipitação média anual: ~2.500 mm, com maior concentração entre novembro e junho
  • Vegetação: Mata secundária em regeneração, resultante de uso agrícola e exploração madeireira seletiva
  • Solo: Latossolo Amarelo Distrófico, textura média a argilosa, relevo ondulado

Essas condições exigem:

  • correção da acidez e fertilidade do solo;
  • práticas de controle da erosão;
  • manejo conservacionista do uso da terra.

Estratégia de Implantação do Sistema

A área foi preparada utilizando a técnica de corte e trituração da capoeira, que:

  • evita o revolvimento do solo;
  • mantém tocos e raízes intactos;
  • favorece a rebrota da vegetação nativa;
  • acelera a regeneração natural da área.

A unidade demonstrativa foi dividida em três parcelas, utilizadas em rodízio:

  • uma parcela em cultivo;
  • duas parcelas em pousio, garantindo recuperação natural do solo e da vegetação.

Composição do Sistema Agroflorestal

O SAF ocupa aproximadamente 0,6 hectare e combina culturas agrícolas, espécies frutíferas e espécies florestais, integradas ao longo do tempo.

Principais Espécies e Arranjos

  • Pimenta-do-reino (Piper nigrum): 1.500 plantas | espaçamento 2 × 2 m
  • Cupuaçu (Theobroma grandiflorum): 188 plantas | espaçamento 6 × 6 m
  • Açaí (Euterpe oleracea): 45 plantas, implantadas nos aceiros
  • Paricá (Schizolobium amazonicum):360 plantas | espaçamento 4 × 4 m
  • Andiroba (Carapa guianensis): 15 plantas, distribuídas aleatoriamente

A regeneração natural da capoeira complementa o componente florestal do sistema.

Dinâmica Temporal do SAF

  • Ano 1: preparo da área e implantação da pimenta-do-reino
  • Ano 2: introdução de cupuaçu e açaí
  • Ano 3: plantio de paricá e andiroba
  • Anos 10 e 14: desbastes seletivos do paricá
  • Ano 18: corte raso do paricá
  • Horizonte de planejamento: 30 anos

Esse arranjo garante:

  • produção agrícola nos primeiros anos;
  • geração de renda intermediária e de longo prazo;
  • manutenção da cobertura florestal.

Aspectos Econômicos

A avaliação econômica do sistema indica:

  • Payback: aproximadamente 3 anos
  • Relação Benefício/Custo: superior a 2,8
  • Alta taxa interna de retorno (TIR)
  • Viabilidade econômica positiva ao longo de 30 anos

A comercialização é realizada diretamente em feiras locais, reduzindo a dependência de atravessadores e aumentando a autonomia dos produtores.

Avaliação Final

O modelo BR SAF PA–01 é considerado tecnicamente consolidado e economicamente viável, podendo ser replicado em regiões com condições ambientais semelhantes, desde que sejam consideradas:

  • a adaptação das espécies à realidade local;
  • as possibilidades de comercialização regional;
  • o envolvimento da agricultura familiar.

Referencias bibliográficas

ANDRADE, J. P.; SOUSA, F. F.; KATO, O. R.; ALMEIDA, R. H. C.; SOUZA, A. M.; NEVES, J. L. G. de S. Agricultura de “corte e trituração” e implementação de sistema agroflorestal: Uma experiência de transição agroecológica no nordeste paraense. In: 1º SEMINÁRIO DE AGROECOLOGIA DA AMÉRICA DO SUL. Anais… Dourados-MS, 2011. p. 11.

FERREIRA, J. H. O. Contribuição da Agricultura Familiar na construção do conhecimento agroecológico: Estudo de Caso do Projeto Raízes da Terra. 2012. 96f. Dissertação (Mestrado em Agriculturas Familiares e Desenvolvimento Sustentável) - Núcleo de Ciências Agrárias e Desenvolvimento Rural, Universidade Federal do Pará, Belém, 2012.

KATO, O. R.; VASCONCELOS, S. S.; FIGUEIREDO, R. de O.; CARVALHO, C. J. R. de; SA, T. D. de A.; SHIMIZU, M. K. Agricultura sem queima: uma proposta de recuperação de áreas degradadas com sistemas agroflorestais sequenciais. In: XVIII REUNIÃO BRASILEIRA DE MANEJO E CONSERVAÇÃO DO SOLO E DA ÁGUA, 2010, Teresina. Novos caminhos para a agricultura conservacionista no Brasil. Anais… Teresina: Embrapa Meio-Norte: Universidade Federal do Piauí, 2010. 1 (CD-ROM).

OLIVEIRA, C. D. de S. Percepção de agricultura familiar na adaptação do sistema de cultivo de corte e trituração. 2002. 129 f. Dissertação (Mestrado em Mestrado em Agriculturas Familiares e Desenvolvimento Sustentável) - Universidade Federal do Pará, Belém, 2002.

STEVENS, A. D. Influência da agricultura itinerante na regeneração da vegetação de pousio no leste as Amazônia. Eschbrn, Alemanha: Deustsche Gesellschaft für Technishe Zusammenarbeit. 1999, 59p.

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