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Semeadura Direta de Espécies Arbóreas Nativas
Restauração de Áreas Agrícolas na Mata Atlântica (Sudeste do Brasil)
Identificação da Experiência
Bioma: Mata Atlântica
Fitofisionomia: Floresta Estacional Semidecidual
Local: Araras – SP
Categoria da área: Área de Preservação Permanente (APP)
Aplicabilidade: Independente do tamanho da propriedade
Objetivo da Experiência
Avaliar a eficiência técnica e econômica da semeadura direta de espécies arbóreas nativas para:
Contexto das Áreas
Área I
Uso anterior: plantio de sorgo
Solo: Latossolo Vermelho Distrófico
Alterações prévias devido à construção de barragem
Presença de área próxima a nascente com encharcamento esporádico
Área II
Uso anterior: cana-de-açúcar
Solo: Nitossolo Vermelho Eutrófico
Topografia plana
Próxima a área restaurada há 7 anos, porém com baixa diversidade
Ambas estavam há mais de 20 anos sob cultivo agrícola intensivo, sem regeneração natural significativa e distantes de fragmentos florestais.
Implantação – Passo a Passo
1 - Preparo da Área
Roçada mecanizada
Três aplicações de glifosato (5 L/ha)
Subsolagem a 60 cm (cultivo mínimo)
Controle de formigas com isca à base de sulfluramida
Sem irrigação
Na Área I, utilizou-se também feijão-guandu-anão nas entrelinhas como estratégia de supressão de plantas competidoras.
2 - Semeadura de Preenchimento
16 espécies arbóreas nativas de rápido crescimento
Seleção baseada em: copa ampla, crescimento rápido, disponibilidade de sementes
Densidade planejada: 123 indivíduos por hectare por espécie
Correção do número de sementes com base na taxa de germinação em laboratório
Objetivo: formar rapidamente uma cobertura florestal inicial.
3 - Semeadura de Enriquecimento
Implantada 2 anos após o preenchimento.
Área I: 30 espécies secundárias tardias e climácicas
Área II: 35 espécies tardias/climácicas
Plantio em covetas (2–3 cm de profundidade)
Distribuição aleatorizada
Tratamento prévio para quebra de dormência
Cobertura com solo + serapilheira
Objetivo: aumentar diversidade e complexidade estrutural da floresta.
Espécies Utilizadas
Grupo de Preenchimento
Espécies pioneiras e de rápido crescimento, como:
Grupo de Enriquecimento
Espécies secundárias tardias e climácicas, como:
*Hymenaea courbaril*
*Cedrela fissilis*
*Cariniana legalis*
*Tabebuia spp.*
*Copaifera langsdorffii*
* entre outras.
Custos
Valores estimados em 2010:
Custo de sementes: R$ 78,00 a R$ 398,75/kg
Custo estimado por muda (equivalente):
Área I: R$ 0,13 a R$ 2,46
Área II: R$ 0,01 a R$ 8,32
A semeadura direta apresentou boa viabilidade econômica, especialmente quando comparada ao plantio convencional de mudas.
Avaliação dos Resultados
✔ Método tecnicamente viável para ocupação inicial de áreas agrícolas abandonadas
✔ Viável economicamente
✔ Redução de custos com produção e transporte de mudas
✔ Formação rápida de cobertura vegetal
Pontos de Atenção
Resultados variam conforme: espécies utilizadas, condições do solo, manejo pós-implantação
Necessidade de diagnóstico prévio detalhado
Plantio de mudas pode ser complementar em algumas situações
Principais Lições
A combinação de preenchimento + enriquecimento aumenta a eficiência da restauração.
O sucesso depende da escolha adequada das espécies.
A técnica é promissora para grandes áreas agrícolas abandonadas.
* O controle inicial de plantas competidoras é determinante.
Referência Técnica
ISERNHAGEN, I. (2010). O uso de semeadura direta de espécies arbóreas nativas para a restauração florestal de áreas agrícolas, sudeste do Brasil.Tese de Doutorado – ESALQ/USP.