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Proteção e Restauração Ecológica de Nascentes

Uso de Talhão Facilitador Diversificado

Mata Atlântica – Floresta Ombrófila Mista (Floresta de Araucária)

Identificação da Experiência

  • Bioma: Mata Atlântica
  • Fitofisionomia: Floresta Ombrófila Mista (Floresta de Araucária)
  • Local: Machadinho – RS
  • Categoria da área: Área de Preservação Permanente (APP)
  • Aplicabilidade: Pode ser utilizada independentemente do tamanho da propriedade
  • Data de implantação: 2012

Objetivo do Modelo

Promover a proteção e restauração ecológica de nascentes, por meio da:

  • Regeneração Natural Assistida
  • Enriquecimento com mudas de espécies florestais nativas
  • Implantação de talhões facilitadores diversificados

Contexto Ambiental da Área

  • Clima: Temperado úmido
  • Relevo: Ondulado a acidentado
  • Hidrografia: Região banhada pelos rios Uruguai e Inhandava
  • Solos (partes altas): Nitossolo Vermelho, Cambissolo Háplico, Neossolo Litólico e Flúvico
  • Solos (partes baixas): Nitossolo Vermelho, Cambissolo Háplico, Gleissolo Háplico, Neossolo Flúvico

A vegetação original corresponde à Floresta com Araucária, característica do norte do Rio Grande do Sul.

Estratégia de Recomposição

  • Método: Regeneração Natural Assistida com enriquecimento
  • Técnica: Plantio de mudas em covas
  • Modelo aplicado: Talhões Facilitadores (TFs)

Implantação – Passo a Passo

1 - Isolamento da Área

  • Instalação de cerca para impedir acesso de animais domésticos
  • Primeiro fio de arame a 50 cm do solo, permitindo circulação da fauna silvestre
  • Proteção inicial essencial para permitir a regeneração natural

2 - Implantação dos Talhões Facilitadores

Os Talhões Facilitadores (TFs) são plantios mistos de espécies nativas planejados para acelerar a sucessão ecológica.

O método combina dois princípios:

  • Dinâmica de copas
  • Nucleação

Baseia-se na divisão das espécies em dois grupos ecológicos principais:

Espécies de Abrigo (Recobrimento)

  • Crescimento rápido
  • Copa ampla
  • Fechamento rápido do dossel (idealmente em até 12 meses)
  • Controlam gramíneas invasoras

Espécies de Crista (Diversidade)

  • Crescimento mais lento
  • Exigem sombreamento inicial
  • Tornam-se dominantes em fases mais avançadas da sucessão

Após cerca de 5 anos, ocorre o auto-desbaste natural das espécies de abrigo, permitindo o desenvolvimento das espécies de crista e de regenerantes naturais trazidos pela fauna.

Arranjo de Plantio

  • Proporção recomendada inicial: 50% abrigo e 50% crista ou 40% abrigo e 60% crista
  • Espaçamento: 2,5 m × 2,5 m
  • Distribuição: Plantio alternado entre linhas adjacentes (1:1 entre pioneiras e secundárias)

A proporção pode ser ajustada conforme:

  • condições edafoclimáticas;
  • nível de degradação;
  • objetivo da restauração.

Espécies Utilizadas

Algumas espécies empregadas no modelo:

  • Açoita-cavalo (Luehea divaricata)
  • Angico-vermelho (Parapiptadenia rigida)
  • Araçá (Psidium cattleianum)
  • Bracatinga (Mimosa scabrella)
  • Canafístula (Peltophorum dubium)
  • Guabiroba (Campomanesia xanthocarpa)
  • Ingá (Inga aff. vera)
  • Ipê-roxo (Handroanthus albus)
  • Pitanga (Eugenia uniflora)
  • Vime (Salix viminalis)

A escolha das espécies deve considerar:

  • a região bioclimática;
  • a formação florestal de referência;
  • as características do solo.

Resultados e Avaliação

  • Modelo finalizado e validado em campo
  • Dinâmica de copas eficiente no controle de gramíneas
  • Favorecimento da regeneração natural
  • Estrutura florestal em consolidação
  • Método replicável em áreas de proteção de nascentes

Potencial de Replicação

O modelo pode ser aplicado:

  • Em outras áreas da Mata Atlântica
  • Em regiões com condições ecológicas semelhantes
  • Desde que as espécies sejam adaptadas ao bioma e às condições locais

Principais Lições

  • O isolamento inicial é decisivo para o sucesso.
  • A escolha correta das espécies define a dinâmica futura da floresta.
  • O planejamento da proporção abrigo/crista deve considerar cada realidade local.
  • O método combina restauração ativa com estímulo à regeneração natural.

Referências Técnicas

CARPANEZZI, A. A . Fundamentos para a reabilitação de ecossistemas florestais. In: GALVÃO, A.P.M. (ed.). Restauração florestal: fundamentos e estudo de casos. Colombo:Embrapa Florestas, 2004.

CARPANEZZI, A. A. (Coord.). Zoneamento ecológico para plantios florestais no Estado do Paraná. Brasília, DF: EMBRAPA-DDT; Curitiba: EMBRAPA-CNPF, 1986. 89 p. (EMBRAPA-CNPF. Documentos, 17).

CARPANEZZI, A. A.; CARPANEZZI, O. T. B. Espécies nativas recomendadas para recuperação ambiental no Estado do Paraná, em solos não degradados. Colombo: Embrapa Florestas, 2006. 57 p. (Embrapa Florestas. Documentos, 136).

CARPANEZZI, A.A.; NICODEMO, M.L.F. Recuperação de mata ciliar e reserva legal florestal no noroeste paulista. São Carlos: Embrapa Pecuária Sudeste, 2009. 35p. (Série documentos, Embrapa Florestas, 188).

CARVALHO, P. E. Espécies arbóreas brasileiras. Brasília, DF: Embrapa Informação Tecnológica; Colombo, PR: Embrapa Florestas, 2003. 1039 p. (Espécies Arbóreas Brasileiras, v. 1).

CARVALHO, P. E. Espécies arbóreas brasileiras. Brasília, DF: Embrapa Informação Tecnológica; Colombo, PR: Embrapa Florestas, 2006. 627 p. (Espécies Arbóreas Brasileiras, v. 2).

CARVALHO, P. E. Espécies arbóreas brasileiras. Brasília, DF: Embrapa Informação Tecnológica; Colombo, PR: Embrapa Florestas, 2008. 593 p. (Espécies Arbóreas Brasileiras, v.3).

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