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webambiente:experiencias

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Recuperação de Pastagem Degradada em Áreas Úmidas do Pantanal

Vedação e Indução do Banco de Sementes com Enriquecimento por Espécies Nativas

Identificação da Experiência

  • Bioma: Pantanal
  • Município/Estado: Corumbá – MS
  • Fitofisionomia: Formações Pioneiras (bordas de lagoas), Savana gramíneo-lenhosa (campo limpo inundável)
  • Categoria da área: Área de Preservação Permanente (APP), Área de Uso Restrito (AUR)
  • Solo: Neossolos Quartzarênicos Hidromórficos típicos ou espodossólicos
  • Objetivo: Restauração ecológica
  • Estratégia de recomposição: Plantio em Área Total
  • Técnica principal: Semeadura a lanço
  • Responsável: Embrapa Pantanal

Contexto da Área

A experiência foi conduzida em uma invernada de 289 hectares, com taxa de lotação média de 0,3 UA/ha, utilizada para bovinos Pantaneiros em pastejo contínuo.

Problema identificado

  • Superpastejo em anos secos ou excessivamente chuvosos.
  • Degradação de áreas inundáveis, especialmente bordas de lagoas.
  • Invasão por espécies arbustivas.
  • Transformação de campo limpo em campo sujo.

Objetivo da Estratégia

Recuperar áreas altamente degradadas por meio de:

  • Diferimento (vedação temporária);
  • Indução do banco natural de sementes;
  • Semeadura complementar de espécies forrageiras nativas;
  • Manejo adaptativo conforme regime de chuvas.

Implantação – Passo a Passo

A) Vedação da Área

  • Divisão da invernada em duas partes.
  • Vedação de uma das áreas por 1 a 2 meses durante o pico do período chuvoso (dezembro a março).
  • Alternância anual das áreas vedadas.
  • Manutenção da mesma taxa de lotação na área restante.

Objetivo: Permitir rebrote e expressão do banco de sementes natural.

B) Gradagem Leve (Indução do Banco de Sementes)

  • Aplicada apenas em áreas altamente degradadas.
  • Revolvimento superficial do solo.
  • Exposição das sementes do banco natural.
  • Não recomendada para revolvimento profundo.

Na área piloto:

  • Área 1: campo limpo sazonal (dominância de Walteria albicans).
  • Área 2: borda de baía (dominância de Senna alata).

C) Semeadura a Lanço

Realizada na área mais úmida (borda de baía), durante semana chuvosa.

  • Sementes coletadas manualmente em áreas previamente vedadas.
  • Espécies ainda não disponíveis comercialmente.
  • Pode ser substituída por semeadura natural via vedação estratégica.

Espécies Utilizadas

Espécie introduzida por semeadura a lanço:

  • CanaranaHymenachne amplexicaulis

Espécies que emergiram naturalmente (banco de sementes)

  • Axonopus purpusii (Capim-mimoso)
  • Digitaria decumbens (espécie forrageira pioneira observada)
  • Walteria albicans (invasora)
  • Senna alata (invasora arbustiva)

Espécies recomendadas para enriquecimento estratégico (ciclo C3)

  • Hymenachne amplexicaulis
  • Luziola subintegra

Resultados Observados

  • Recuperação significativa em anos com boa distribuição de chuvas
  • Expressão do banco natural de sementes
  • Incremento da capacidade de suporte da pastagem
  • Redução de áreas degradadas nas bordas de lagoas

A recuperação foi mais expressiva no ciclo 2015/2016, quando houve melhor distribuição pluviométrica.

Custos

Custo total estimado:

R$ 13.040,05 por hectare

Principais componentes de custo

  • Cercamento (material + mão de obra)
  • Trator (gradagem leve)
  • Mão de obra para semeadura
  • Insumos para cerca

Alternativas de redução de custos

  • Uso sustentável de madeira da propriedade para postes;
  • Não realizar gradagem quando não estritamente necessário;
  • Aplicar apenas vedação em áreas moderadamente degradadas.

Avaliação Técnica

  • A prática de diferimento ainda é pouco utilizada devido ao custo de cercas.
  • A divisão da área em duas partes reduz custos e mantém viabilidade produtiva.
  • A gradagem deve ser usada apenas em áreas extremamente degradadas.
  • O sucesso depende fortemente da distribuição de chuvas.

Recomendações Técnicas

  • Aplicar vedação estratégica no pico das chuvas.
  • Utilizar gradagem leve somente quando houver necessidade de indução do banco de sementes.
  • Planejar vedação adicional entre fevereiro e abril para favorecer espécies de ciclo C3.
  • Adaptar manejo conforme regime hidrológico anual.

Parcerias e Apoio

  • Embrapa Pantanal
  • BNDES
  • CNA

Referências Técnicas

Cardoso, E.L.; Santos, S.A.; Urbanetz, C.; Carvalho Filho, A.; Naime, U.J.; Silva, M.L.N.; Curi, N. Relação solos-unidades da paisagem no ecossistema Pantanal, Mato Grosso do Sul, Brasil (no prelo).

Santos, S.A.; Crispim, S.M.A.; Branco, O.D.; Comastri Filjo, J.A.C. Diferimento de pastagens nativas superpastejadas no Pantanal. In: Simpósio sobre Recursos Naturais e Socioeconômicos do Pantanal, 4. Corumbá, MS, 2004a.

Santos, S.A.; Crispim, S.M.A.; Comastri Filho, J.A.; Cardoso, E.L. Princípios de Agroecologia no manejo das pastagens nativas. Embrapa Pantanal, Documentos 62, 2004b.

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