Restauração Ecológica
Conceitos e definições
A regeneração natural é uma estratégia e também um sistema de referência de recomposição da vegetação nativa baseada na capacidade do próprio ecossistema de recuperar, ao longo do tempo, sua estrutura, composição e funções ecológicas, sem a implantação da vegetação por meio do plantio de mudas ou da semeadura.
A recuperação ocorre principalmente a partir de regenerantes, rebrotas, banco de sementes do solo e propágulos provenientes de remanescentes de vegetação nativa próximos.
Sua eficiência depende do potencial de regeneração natural da área e da redução ou eliminação dos fatores de degradação, com destaque para a proteção da área, o controle das perturbações e o acompanhamento da resposta do ecossistema.
Aplicabilidade
Áreas com alto potencial de regeneração natural
Conceito-chave
Regeneração natural não significa ausência de manejo.
Requer diagnóstico, proteção, controle dos fatores de degradação e monitoramento.
Critérios para indicação
A regeneração natural deve ser adotada quando o diagnóstico indicar alto potencial de regeneração natural da área e uma trajetória de recuperação compatível com os objetivos da recomposição.
Regenerantes e rebrotas
Presença de plântulas, indivíduos jovens e plantas com capacidade de rebrota.
Fontes de propágulos
Disponibilidade de propágulos na área ou provenientes da paisagem.
Vegetação nativa próxima
Proximidade ou conectividade com remanescentes de vegetação nativa.
Banco de sementes e solo
Banco de sementes viável e condições do solo favoráveis ao estabelecimento da vegetação.
Perturbações
Ausência ou possibilidade de controle de pastejo, fogo, trânsito e outras pressões recorrentes.
Espécies exóticas invasoras
Baixa dominância ou possibilidade de controle.
Para a tomada de decisão
Quanto maior o conjunto de condições favoráveis, maior tende a ser o potencial de regeneração natural da área.
Etapas principais
A condução da regeneração natural envolve ações para permitir que os mecanismos naturais de recuperação atuem após a eliminação ou redução dos fatores de degradação.
Diagnóstico da área
Potencial de regeneração e fatores limitantes.
Controle dos fatores de degradação
Pastejo, fogo, trânsito e usos incompatíveis.
Proteção da área
Cercamento e outras medidas, quando necessárias.
Monitoramento
Acompanhamento da resposta da vegetação e das pressões.
Avaliação da trajetória
Verificação se a recuperação é compatível com os objetivos.
Trajetória adequada
Manter estratégia
Trajetória insuficiente
Reavaliar diagnóstico e adotar medidas complementares
Objetivo
Permitir a recuperação da vegetação nativa por meio dos processos naturais de regeneração, garantindo a proteção da área e o controle das perturbações.
Boa prática
O controle dos fatores que impedem a regeneração deve ser prioritário. A proteção da área deve ocorrer desde o início quando houver pastejo, pisoteio ou outras perturbações incompatíveis com a recomposição.
Vantagens
Limitações
A presença de cobertura vegetal ou regenerantes, isoladamente, não garante uma trajetória de recuperação compatível com os objetivos da recomposição.
Diagnóstico e planejamento
Proteção/ cercamento
Controle de perturbações
Monitoramento
Manejo localizado, quando necessário
Em áreas adequadamente selecionadas, os custos tendem a ser inferiores aos de estratégias que exigem implantação ativa da vegetação. Regeneração natural, entretanto, não significa “custo zero”.
O monitoramento deve verificar se a regeneração está avançando em direção aos objetivos estabelecidos para a área. Conforme as características do ecossistema, podem ser acompanhados aspectos como densidade e recrutamento de regenerantes, cobertura da vegetação nativa, presença e dominância de espécies exóticas invasoras, condições do solo, ocorrência de novas perturbações e evolução da estrutura e composição da vegetação.
Mais importante do que registrar os indicadores é avaliar sua tendência ao longo do tempo.
Resultados insuficientes devem subsidiar a reavaliação do diagnóstico e, quando necessário, a adoção de medidas complementares ou de estratégias com maior nível de intervenção.
Erro Frequente
Escolher a regeneração natural somente porque apresenta menor custo.
A estratégia deve ser indicada quando o diagnóstico demonstrar potencial de regeneração suficiente e compatibilidade entre a trajetória esperada e os objetivos da recomposição.